Alquimia Literaria II

A FAUNA E A FLORA

 

 

A fauna é fã da alta flauta em falta

 e a flora aflora fora de forma agora,

a fala da flauta fluía em frase alta

 e a flora floria pela floresta afora,

 

 

 a ausência fez carência na audiência,

 mas a massa laça a argamassa escassa,

e a fluência dá cadência à exigência

 pela graça da linhaça e de cada raça,

 

 

inspirar e praticar é voltar a tocar

para desabrochar, multiplicar e doar

 harmonia para uma cotovia na ramaria,

 

 

fauna e flora agora decoram a aurora

 pela caixa de pandora em hora sonora,

 e pela sintonia da melodia em poesia.


 

O VIOLÃO E O VIOLINO

 

 

 O violão viu a lã virar cordão varão,

 O violino viu o limbo virar um linho,

 O cordão virou um fio e viu o refrão,

 e o limbo viu um lindo linho sozinho,

 

 

a música usava a única rútila túnica

 e o refrão até refez a frouxa fração,

pondo a túnica em pública ode lúdica

 para flexão da fração sem frustração,

 

 

o violão e o violino em viril versão

violaram a via pela violenta vocação

 pondo a harmonia em dia como melodia,

 

 

 a corda canção não cansava o coração,

 a sessão viu o chão colorir a canção,

 e a porfia recria a valia da ousadia.

 

 

A FLAUTA E O PISTÃO

 

 

 A flauta fluía em eflúvios fluídicos,

o pistão mudou seu padrão de posição

para ver versos vivos mais verídicos

 na atuação de captação da composição,

 

 

os eflúvios intrusos geram acústicos

 que agem no padrão de ação da canção,

e mesmo se incluso um músico rústico

 na junção da união há mais motivação.

 

 

A fluência da essência traz regência

 à urgência de potência em eloquência.

 É só ária imaginária, mas necessária.

 

 

A aliança avança e lança a confiança

e a nuança em segurança dá esperança

 à ária solitária, mas como luminária.

O PIANO E A LIRA

 

 

 O piano ufano teve ímpetos soberanos,

 a lira ainda tinha em mira a mentira,

e o engano humano gerou muitos danos

 mas saíra a falsa mira que a atraíra,

 

 

o piano veterano revisou seus planos,

a lira safira se vira e já se admira,

de planos serranos no meio do oceano 
 que a atraíra para a mentira e a ira.

 

 

 Um fulano renova seus planos arcanos,

 do meridiano praiano ao alvo soprano,

 para que se adira à pira que erigira,

 

 

 o fulano era cigano, o músico urbano,

 em abano no novo meridiano aquariano,

 assim, que se afira boa mira na lira.

 

O SAXOFONE E A CLARINETA

 

 

 O saxofone insone tocou ao microfone,

 a clarineta xereta se uniu à opereta,

 o saxofone em cone age como cicerone,

 a clarineta violeta se une na veneta,

 

 

 o som manifesta o seu dom a meio tom,

 a energia cria a harmonia da melodia,

o som se revela em tom muito bom com

 a sincronia que fantasia uma euforia.

 

 

Que o tom do saxofone acione seu dom

ao bom tom do cone, mas retome o som

 para a silhueta da clarineta violeta,

 

 

e relacione o dom do saxofone marrom

ao tom ou se adicione o nome tão bom

 da clarineta violeta mesmo à sarjeta.

 

A TUBA E O TAMBOR

 

 

  A tuba graúda a tudo escuta e estuda,

  o tambor explorador não quis se opor,

 a tuba vislumbra e retumba meio muda

  mas o tambor lhe doa teor consolador,

 

 

  a tuba se estufa toda como uma trufa,

 o tambor se faz percussor como autor

  que saúda a tuba que ainda se estufa,

  mas o tambor retém o clamor do rumor,

 

 

 a tuba agora saúda com fé mais aguda

 retumba desnuda na ajuda mais graúda

  para união de ação em prol da canção,

 

 

o tambor como graduador e explorador

se faz armador, animador e embalador

 para que a ação canção viva a emoção.

 

A GAITA DE FOLE E A OCARINA

 

 

  A gaita de fole abole males da prole,

  a ocarina é estima que sai da rotina,

 que se esfole o fole, mas se descole

  a sina da disciplina para as retinas,

 

 

a canção passa a ter reação na união

e a música recebe uma bússola lúdica

como fração do refrão para adaptação

 e como súplica pública em uma súmula,

 

 

que o fole se esfole, mas se console

e não amole pois acolhe e sendo mole

 dá evasão e padrão para a composição,

 

 

a ocarina se determina e já se anima

a colocar a rima acima da disciplina

 para uma canção em ação de motivação.

 

O CRAVO E A HARPA

 

 

 O cravo é só escravo de um desagravo,

 e da harpa escapa um oitavo à socapa,

o desagravo forma oitavo em alinhavo

 e a harpa derrapa porém ainda escapa,

 

 

 o cravo sofre um agravo como encravo,

 e aparece na harpa uma macabra farpa,

o tempo diz: escavo e lavro no cravo

 a nova etapa que tapa o mal da harpa,

 

 

e o cravo se torna bravo pelo agravo

e diz: cavo desconchavo em que travo

 um pedal sem ferir o gradual musical,

 

 

sua farpa acaba e a harpa não desaba

pois a harpa zarpa acima de escarpas

 legando ao musical um final triunfal.


 

O OBOÉ E O FAGOTE

 

 

 O oboé inicia o balé tal como cafuné,

 o fagote dá o suporte com seus dotes,

 o músico de boné bate pé e toca oboé,

 o holofote mostra o porte do fricote,

 

 

 o oboé enaltece o chalé de um cabaré,

 o fagote exalta a sorte como mascote,

o oboé dá o olé mesmo em marcha à ré

 mantendo ainda o forte mote do trote,

 

 

 o oboé anima sua maré musical com fé,

e este balé com o instrumental até é

 o dom da ação de motivação da canção,

 

 

 o fagote se vê num transporte rebote,

em aporte que dá suporte muito forte

 para a aptidão da canção em execução.

O VIOLONCELO E A VIOLA

 

 

O violoncelo caramelo promove um elo

 com a viola que se descola da sacola,

e em sincronia com belo elo paralelo

 abre uma bitola em argola da caixola,

 

 

 o violoncelo toca o belo som singelo,

 a marola leva a viola ao som vitrola,

e o violoncelo diz: apelo pelo anelo

 que a marola descola no som da viola,

 

 

a viola carola se suplanta e descola

 um som que esfola a bola da corriola,

 por inspiração na ação da composição.

 

 

No raro castelo amarelo o violoncelo

toca num belo duelo de jogo do prelo

 para a publicação da lição da canção.

A GUITARRA E O BAIXO

 

 

 A guitarra mostra sua garra na farra,

 o baixo toca o som abaixo do encaixo,

 a guitarra não barra a sua algazarra,

 mas o baixo arcaico anima seu bairro,

 

 

que até se varra a garra da guitarra

 se o baixo laico for algo cabisbaixo,

já que se barra uma bizarra fanfarra

 rebaixo e encaixo a melodia do baixo,

 

 

o ato da guitarra barra e se esbarra

 com uma tara que a compara à cigarra,

 e toca a meio tom, mas com o seu dom,

 

 

se o baixo, no rebaixo, tocar abaixo

do rebaixo de encaixo leva-o debaixo

 do dom que se nota de bom tom no som.

 

O PANDEIRO E A CASTANHOLA

 

 

 O pandeiro aventureiro toca primeiro,

 depois a castanhola espanhola rebola,

 o pandeiro é trejeiteiro por inteiro,

 a espanhola rebola mais e se descola,

 

 

 o pandeiro festeiro segue um roteiro,

 a castanhola gabola faz a sua escola,

 o pandeiro se faz faroleiro certeiro,

 a castanhola descola uma rara parola,

 

 

 o pandeiro faceiro se faz cavalheiro,

mas como obreiro pioneiro e festeiro

 com primícia de carícia para notícia,

 

 

 a espanhola tem castanhola em argola,

 ora se enrola, ora decola, ora bolas,

 pela perícia em delícia-arte-fenícia.

O ACORDEÃO E A HARMÔNICA

 

 

O acordeão toca em junção e afinação

 com harmônica sinfônica e sua tônica,

 a exibição dá motivação à composição,

 a tônica platônica se faz hegemônica,

 

 

 o acordeão põe uma flexão em objeção,

 e a harmônica biônica se faz afônica,

 o acordeão volta à ação de entonação,

 a harmônica já é sônica e antagônica,

 

 

o acordeão em atribuição e aclamação

põe graduação em relação com devoção

 para que o som seja bom pelo seu tom,

 

 

a harmônica eletrônica e filarmônica

 é também lacônica, fônica e canônica,

 por dom que atinge o tom em cada som.

A CÍTARA E O ALAÚDE

 

 

 A cítara gera mística característica,

 o alaúde amiúde alude a uma quietude,

a cítara doa uma sílaba mais ríspida

 e o alaúde se faz rude em similitude,

 

 

 a cítara gera uma epístola artística,

 o alaúde muda a atitude em plenitude,

 a cítara melhora a lírica casuística,

 e o alaúde melhora o rude na virtude,
 

 

 a cítara sustenta alvíssaras líricas,

 a acústica empírica se torna onírica,

 e a canção tem a aptidão da afinação,

 

 

 para que o alaúde mude suas atitudes,

 por virtude e plenitude em magnitude,

 pela exatidão na conexão da exibição.


 

O BERRANTE E A BATERIA

 

 

  O berrante delirante toca desafiante,

  a bateria gera assessoria na melodia,

  o berrante vai marcante e empolgante,
  a bateria é garantia de boa harmonia,

 

 

  o berrante de teor toante vai avante,

  a bateria gera apologia com maestria,

  é algo chocante o instante delirante,
  todavia a bateria vigia com parceria,

  

 

 o berrante integrante é participante

 de flagrante cruciante mas relevante

  em ação de união à bateria na canção,

 

 

  a bateria cria a euforia da alegoria,

  pela categoria da utopia em sintonia,

  com tom de afinação em ação de união.


 

O BERIMBAU E O CHOCALHO

 

 

  O berimbau de Nicolau tocou no sarau,

 com chocalho de Ramalho num trabalho

  servido com curau, mingau e bacalhau,

  alho e queijo coalho gota de orvalho,

 

 

  o berimbau tocou numa nau em Curaçau,

  com chocalho num atalho quebra galho,

 levando a nau e o Nicolau para Macau

  com Ramalho, um pirralho já grisalho;
 

 

 Nicolau soou o berimbau em alto grau

 tremendo pau e balandrau e deu tchau

  em reação de emoção com a tripulação,

 

 

  Ramalho elevou o chocalho como malho,

  tremeu penduricalho em falho retalho,

  mas a canção teve a ação da afinação.

O CAVAQUINHO E O QUINTÃO

  

  Zinho tocou o cavaquinho devagarinho,

  e Adão tocou o quintão em acomodação,

  o cavaquinho traz carinho no caminho,

  o quintão traz conexão na composição,

 

 

  Zinho perde um tiquinho em desalinho,

  Adão toca uma posição em aproximação,

 Zinho já alinha o cavaquinho sozinho

  e Adão acha a exatidão da associação,

 

 

 o cavaquinho vinho viu um torvelinho

 daninho mas com um alinho de mocinho

  pôs o dom, agora afinado, em bom tom,

 

 

 o quintão fez a aferição da gradação

 pela afeição da precisão na afinação

  para que o bom tom revelasse seu dom.

 

A ESCALETA E A TROMPA

 

 

  A escaleta preta toca ao pé da letra,

  a trompa se apronta com toda a pompa,

 na escaleta há a faceta da clarineta

  e a trompa leva em conta toda a onda,

 

 

  a chaveta da escaleta segue a vereda,

 a ponta da trompa como que se alonga

 para que a letra da escaleta conceda

  onda de pompa mais redonda na trompa,

 

 

 o anacoreta faz a escaleta de cureta

 para que entre treta e letra de beba

  o meio tom do som que existe por dom,

 

 

 a trompa já se encontra e se apronta

 para que a pompa em afronta se rompa

  num bom tom de dom que se tem no som.

 

O ÓRGÃO E O TECLADO

 

 

  O Cristóvão tocou seu órgão no sótão,

  o Amado tocou seu teclado no telhado,

 o órgão do Cristóvão pôde em acórdão

  doar som aliado ao tirado do teclado,

 

 

  o Cristóvão do órgão, um jovem órfão,

  com Amado do teclado, quando aliados,

 ele e Cristóvão tocam até claviórgão

  e o vinculado teclado fica sublimado,

 

 

 Cristóvão pediu acórdão para o órgão

  e o órgão no sótão revelou Cristóvão,
  pondo o som no tom que revelou o dom,

 

 

  o teclado associado se fez inspirado,

 foi afinado com o aliado lado a lado

  que o dom do som revelou seu bom tom.

 

 

O TROMPETE E O TROMBONE

 

 

  O trompete de Ivete tocou no excrete,

  o trombone de Ivone tocou como clone,

  o trompete vira manchete como vedete,

  o trombone fica insone como cicerone,

 

 

  o trompete se flete tal como cassete,

  o trombone se torna aerofone em cone,

 o excrete do cassete agora se repete

  no aerofone em cone que se relacione,

 

 

 aperte o trompete em prol de confete

 e até a maquete de vedete se derrete

  em sonorização de afinação na canção,

 

 

 acione o trombone em prol do cognome

 até que o aerofone clone se emocione

  pela canção com sua ação de afinação.


 

O PÍFARO E A GAITA

 

 

  O pífaro Fígaro elevou-se como Ícaro,

 a gaita soou na faixa que se encaixa

  junto com o límpido ímpeto do pífaro,

  e a gaita paira nesta acústica faixa,

 

 

  agora o pífaro se vê mísero e tímido,

  o La da gaita se abaixa e se rebaixa,

 o pífaro ainda é um símbolo solícito

  e o La da caixa da gaita ainda paira,

 

 

 o pífaro toca hígido como um símbolo

 levando o implícito veículo de ídolo

  à evolução da entonação desta canção,

 

 

 a gaita eleva sua faixa numa saraiva

 e encaixa outra linda faixa na gaita

  para renovação da reação na afinação.

 

A MOSCA E A ABELHA

 

 

 A abelha e a mosca são os dois seres

  que vivem com fundamentos contrários,

 as raras diferenças de seus afazeres

  levam a dinâmicas além do imaginário;

 

 

a mosca age em virtude da destruição

 e nenhuma forma orgânica se sustenta,

e a abelha age em prol da construção

 criando um mel que é doce e alimenta,

 

 

a mosca se move por todos os lugares

deixando os seus princípios larvares

 para promover inusitada decomposição,

 

 

a abelha recolhe o néctar das flores

e através de seus inusitados valores

 o mel pode ter prodigiosa elaboração.

 

O URUBU E O BEIJA FLOR

 

 

 Um urubu providencia sua alimentação,

 com substâncias grosseiras e nocivas,

e a natureza faz a sua transformação

 através de alterações significativas;

 

 

o beija flor consegue o seu alimento

 pela utilização do néctar purificado,

e mesmo com um tão delicado sustento

 move-se com um vigor muito acelerado.

 

 

 Um ser humano também tem suas opções,

adultério e muitas outras perversões

 podem representar uma sintonia boçal;

 

 

 enquanto outros optam por fidelidade,

 por responsabilidade e até castidade,

 provando que plenitude é teor mental.


 

A BELEZA E A FEIURA

 

 

A excessiva beleza do corpo material

 leva a um estado de rude prepotência,

e o que era só uma facilidade social

 muda-se em individual inconveniência;

 

 

 já a feiura do corpo, contrariamente,

 leva a um estado de íntima humildade,

porém a humildade age paradoxalmente

 iluminando a mente e a personalidade;

 

 

a beleza passa a ter sombras escuras

que nublam muito as relações futuras

 e a qualidade se torna só um defeito;

 

 

a humildade forma um sol de virtudes

que ilumina as feições a as atitudes

 e um feio se torna digno de respeito.

 

O PÁSSARO BOM SAMARITANO

 

 

Certa vez um pássaro ficou pendurado,

emaranhado em gerador de alta tensão,

então todos se revelaram intimidados

e ninguém lhe restituía a libertação;

 

 

três dias se passaram nesta situação,

todos passavam de largo sem o ajudar.

E como ele obteria a sua alimentação?

Porque a fome já estava a atormentar!

 

 

E um pássaro samaritano foi ao local

e se compadeceu do prisioneiro fatal

mas não pôde livrá-lo com seus dotes,

 

 

não podendo soltá-lo, ele se adaptou,

o pássaro bom samaritano o alimentou

como se alimentasse um tenro filhote.

ONTEM–AMANHÃ E HOJE

 

 

 Ontem eu sonhei com venturoso amanhã,

 onde meus empecilhos tivessem um fim,

 amanhã que me retirasse de árduo afã,

 ou melhorasse a vida em torno de mim,

 

 

 e enfim o tão esperado amanhã chegou,

 porém quando ele chegou, já era hoje,

 e, como mecanismo que se automatizou,

 a cada nova data, hoje de novo surge.

 

 

 O ontem é o passado de uma realidade,

 o amanhã é futuro como possibilidade,

 e o presente se integra naturalmente,

 

 

entre a reflexão do que já se passou

 e a força do futuro que se idealizou,

 apenas hoje nos é dado como presente.


 

RESPOSTA A CARLOS DRUMMOND - I

 

 

  Carlos me pergunta de forma comovida:

  E agora José, que fará com sua sorte?

 Vou ser gauche como Drummond na vida

  para merecer ser destro após a morte.

 

 

  E agora a festa acabou, a luz apagou,

  a noite ainda esfriou e o povo sumiu?

 Mas a luz do âmago do ser se renovou

  aquecendo a noite como não se previu!

 

 

 Você que, sem nome, zomba dos outros

  você que faz versos nos desencontros?

  É só para revolucionar alguns ideais!

 

 

  Você que ama mas que também protesta,

  e agora, José, após terminar a festa?

  Vou ser gauche em relação aos demais!

RESPOSTA A CARLOS DRUMMOND - II

 

 

  Você está sem mulher e sem discursos,

  está sem carinho e já não pode beber?

 É, Drummond, vou neste curioso curso

  que a vida me possibilitou percorrer!

 

 

  Você não pode fumar, não pode cuspir,

  a noite até esfriou e o dia não veio?

 É, Carlos, e feliz eu iria me sentir

  se fossem só estes os meus bloqueios.

 

 

  O bonde não veio e seu riso se calou?

  Não veio a utopia e tudo mais acabou?

  Não Drummond, não acabou a convicção!

 

 

  E tudo fugiu e tudo mofou totalmente,

  E agora José, como será seu presente?

  Será vivendo a cada dia com evolução!

 

RESPOSTA A CARLOS DRUMMOND - III

 

 

  Sua doce palavra, o momento de febre,

  a sua gula, o jejum e sua biblioteca?

 Pois é Drummond, como bem se percebe

  a biblioteca também dignifica a beca.

 

 

  Sua lavra de ouro, um terno de vidro,

  sua incoerência e o seu ódio e agora?

 Eu vou fazer um terno de ouro tecido

  na lavra para que meu ódio vá embora!

 

 

  Com chave na mão, quer abrir a porta,

 porém não existe porta e nem importa

  pois não há perspectivas de mudanças,

 

 

  quer morrer no mar porém o mar secou,

  quer ir para Minas porém se ausentou?

  Mas a luz do imo renovou a esperança!


 

RESPOSTA A CARLOS DRUMMOND - IV

 

 

  Se você gritasse, ou se você gemesse,

  Se você até tocasse a valsa vienense?

 Pois é, porém nada do que eu fizesse

  alteraria a realidade deste suspense.

 

 

  Se você dormisse, cansasse, morresse,

  mas você não morre, você é duro José!

  Carlos, seria pior se eu esmorecesse,

  pois aí estaria perdendo também a fé!

 

 

  Sozinho no escuro qual bicho-do-mato,

  Sem teogonia e sem estrutura de fato?

  Não Carlos, tenho a fé que me conduz!

 

 

  Sem cavalo puro para fugir galopando,

  para onde você, José, está marchando?

  Para ascender da cegueira para a luz!

VERDADE- I

 

 

 

 A verdade sempre será nobre baluarte

  a sustentar aquisições do ser humano,

 assim, perante todos e em toda parte

  estará evoluindo em verídicos planos,

 

 

 a verdade gera a base sólida e firme

  no amor, no labor e na personalidade,

 para que o indivíduo um dia confirme

  que a sua estrutura tem estabilidade,

 

 

 se a mentira é rotineiro referencial

 a resultante desta evolução no final

  terá que ser destruída completamente,

 

 

 todo o labor feito será desperdiçado

 e um ser humano pode ser aproveitado

  para trabalhos muito mais influentes.

VERDADE- II

 

 

 

 A verdade às vezes parece incoerente

  e pode estar muito distante do ideal,

 em alguns casos ela é até deprimente

  mas sempre nos mostrará o que é real,

 

 

 mesmo partindo-se do real defeituoso

  consegue-se melhorar bem a realidade,

 porém, partindo-se do que é enganoso

  ignoram-se até mesmo as necessidades,

 

 

 a verdade leva a pessoa à maturidade

  pois encarando todas as adversidades,

  busca-se um caminho para a superação,

 

 

 a busca efetuada deve ser consciente

  eliminando a causa real e a aparente,

  mas, só se a verdade tiver aceitação.

 

VERDADE- III

 

 

 Homens geralmente escondem a verdade

 sugerindo que indivíduos equivocados

 não apresentam a devida estabilidade

  e por isso eles só vivem ludibriados,

 

 

 esta opção pela mentira problemática

  é só mais uma variante da hipocrisia,

 pois quando se interessar na prática

  a justa verdade é ensinada à maioria,

 

 

 primeiro ensinam mentiras influentes

 para que os homens errem diariamente

  e eles fiquem como mestres da ironia,

 

 

 ao que se tornar adulto na população

 dirão que a mentira era só distração

  e que só uma verdade traz a harmonia.

VERDADE- IV

 

 

 Se um homem não der valor ao sistema

  de mentir para após passar a verdade,

 terá que enfrentar vultuoso problema

  contra homens fanáticos na sociedade,

 

 

 as mentiras primeiramente suavizadas

  serão alteradas por vis manipulações,

 e a realidade será muito prejudicada

  para eliminar quem não quer as ações,

 

 

 orienta-se o povo contra o idealista

 juntamente com advogados e analistas

  pondo-o como paciente da psiquiatria,

 

 

  o idealista optou por amor à verdade,

 mas, teve que enfrentar a iniquidade

  que emergiu como uma social anomalia.