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Matsuo Bashô em
sonetos |
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1.
SENDAS DE OKU (DECISÃO 1)
Os meses são viajantes da
eternidade,
àquele que deixa flutuar a vida
além
e dentro de um barco pela
imensidade,
a sua casa é a própria viagem
também;
e muitos já morreram em plena
viagem,
eu também, com a minha boa
motivação,
vou como nuvem arrastada por
miragem
cheio de pensamentos de nova
atenção;
após ter percorrido algo
determinado
nossa costa durante o outono
passado
fui à minha cabana às margens do
rio;
então me veio o desejo de
atravessar
de Shirakawa a Oku para me
conciliar
e assim eu encarei este novo
desafio. |
2.
SENDAS DE OKU (DECISÃO 2)
Tudo o que via me convidava à
viagem
possuído pela convicção da
caminhada,
necessitava conhecer novas
paisagens
e a mente não se fixava em mais
nada;
então cedi minha cabana e vou
embora
para o lar de Sampu, o meu bom
amigo,
pus, num esteio, oito estrofes
agora
e a primeira diz em meu velho
abrigo:
Outros agora vivendo com um novo
afã
em minha fiel cabana e talvez
amanhã
será casa de bonecas da nova
geração.
Bashô pensou na metamorfose
iniciada
em sua querida cabana antes
habitada
por poeta que levava vida de
ermitão. |
3.
PARTIDA - (PARTE 1)
Nós saímos no dia 27 do terceiro
mês,
o céu estava mais envolto em
vapores
e a fraca lua minguante, por sua
vez,
não mostrava bem seus ígneos
valores;
via-se o monte Fuji apenas
vagamente
e alguns ramos de cerejeiras em
flor,
ainda perguntei a Yanaka
tristemente
se voltaria a vê-los algo
cortejador;
e desde a noite anterior ao
ocorrido
meus amigos também haviam se
reunido
no lar de Sampu para minha
despedida;
programaram um solene
acompanhamento
pelo curto trecho em
desenvolvimento
que faria por água no ato da
partida.
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4.
PARTIDA - (PARTE 2)
Quando chegamos em Senju com o
navio
pensei bem nos três mil ri
restantes,
eles representavam um grande
desafio
e meu coração se contraiu
expectante;
enquanto observava o caminho
natural
que talvez nos separaria para
sempre
nesta existência de plenitude
irreal,
chorei lágrimas de um adeus
pungente:
vai-se irremediavelmente a
primavera,
há queixas de pássaros como
quimeras
e vê-se lágrimas nos olhos de
peixes;
este poema foi o primeiro da
jornada,
e a multidão amiga permaneceu
parada
até me ver sair entre ramos e
feixes. |
5.
A POUSADA DE SOKA
Decidi, sem muitas ásperas
reflexões
no 2o ano da era de
Genroko, ou 1689,
realizar minhas longas
peregrinações
na terra de Oou, cuja área me
comove;
amedrontava-me pensar que minhas
cãs
se multiplicariam de modo mais
ativo,
porém, em meio à violência deste
afã
eu dizia: Ainda hei de retornar
vivo!
Cheguei à pousada de Soka na
estrada,
doíam-me os ossos com a carga
pesada,
só o corpo já deveria ser o
bastante;
mas tudo o que levo é para me
ajudar
e presentes que não se pode
rejeitar,
ah, as dádivas estorvam os
viajantes. |
6.
MURO-NO-YASHIMA
Vimos o santuário de
Muro-no-Yashima,
Sora disse-me de maneira
esclarecida
que é o da deusa Konohana
Sakuyahime,
isto é, senhora das árvores
floridas;
é a mesma deusa do monte Fuji
também
e mãe do real
Hikohohodemi-no-Mikoto,
para dar a luz foi em casa mais
além
e então ateou fogo em seu corpo
todo;
o santuário se chama
Muro-no-Yashima
ou forno de Yashima de grande
estima,
mantendo o lugar como sagrado
retiro;
daí o hábito de citar a fumaça
usual
em poema que tem por tema este
local,
e proíbe-se comer um peixe
konoshiro.
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7.
NOTAS COMPLEMENTARES
Segundo um conto mitológico do
Japão
a deusa-sol, Amaterasu, envia o
neto
príncipe Ninigi para reinar na
nação
e ele aceita um matrimônio com
afeto;
a princesa Konohana tornou-se
esposa
mas Ninigi duvidou de sua
fidelidade,
assim, ela ateou fogo em suas
roupas
para comprovar-lhe a sua
sinceridade;
e nasce Hikohohodemi de sua
gestação
que foi gerado no fogo pela
tradução,
e ainda pôde governar sem
empecilhos.
Um peixe Konoshiro quando é
queimado
lembra bem o corpo humano
incinerado
e ele quer dizer “em lugar do
filho”. |
8.
O MONTE NIKKO (I)
No dia 30 nos hospedamos numa
parada
situada no monte Nikko bem mais
além,
o bom Gozaemon era o dono da
pousada,
dito Gozaemon do Buda por ser do
bem;
eu indaguei a mim mesmo por que
Buda
encarnara neste mundo de pó e
pecado
para dar aos pobres homens sua
ajuda?
E passei a observar o homem
renovado;
ainda que bastante tosco e
ignorante
tinha um ânimo aberto e
interessante
que dignificava bem as suas
atitudes;
um dito de Confúcio lhe era
adequado:
Forte, resoluto, genuíno e
inspirado,
um homem assim está perto da
virtude. |
9.
O MONTE NIKKO (II)
No primeiro dia do quarto mês do
ano
oramos no templo da montanha
sagrada,
Futara era, antes, seu nome
veterano
mas, para Nikko, ela foi
transmudada;
o sacerdote Kukai, ao fazer o
templo,
mudou o nome da montanha
devidamente
para Nikko ou “luz do sol” no
evento,
e hoje sua luz resplandece
fielmente;
seus tons descem sobre os
horizontes,
os estados se beneficiam desta
fonte,
e eu escrevi esta estrofe com
estima:
Olhar, admirar e se deixar
embevecer,
folhas verdes, folhas que vão
nascer
entre os tons da luz solar na
colina.
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10.
O MONTE CABELOS NEGROS (I)
A névoa cobria o pico cabelos
negros,
a neve ainda não perdia sua
brancura,
e sentindo sua calma e seu
aconchego
Sora escreveu com a sua
desenvoltura:
De forma contrastante, raspado
chego
com um respeito que é até
automático,
a ti, bela colina dos cabelos
negros,
e me simboliza uma mudança de
hábito;
Sora é do clã de Kawai de bom
decoro,
seu real nome de nascimento é
Sogoro
e é chamado de Sora, de modo
sumário;
vive próximo da minha casa tão
amada,
sob as folhas da árvore Bashô
copada
e me ajuda nos meus afazeres
diários. |
11.
O MONTE CABELOS NEGROS (II)
Pretendendo ver Kisagata e
Matushima,
Sora decidiu me seguir nesta
jornada,
enfeitou o seu crânio com
disciplina
e vestiu roupa budista
caracterizada;
os pormenores explicam o
significado
das palavras referentes à sua
poesia,
seu visual ficou bastante
modificado
e seu hábito alterou-se com
harmonia.
No pico da colina há uma
reentrância
de onde a água cai com sua
elegância
e eu escrevi sobre a cascata em
ação:
Cascata, local de misterioso
desafio,
de devoções que se comparam ao
estio
por um instante de profunda
reflexão. |
12. CRUZANDO O CAMPO POR ATALHOS EM NASU (I)
Tenho um conhecido num lugar chamado
Kurobane, na parte de Nasu mais
além,
e atravesso estes campos
encontrados
até que uma chuva e a noite me
detêm;
um gentil camponês me deu
alojamento
e no dia seguinte segui minha
viagem,
eu pedi a um homem por
discernimento
e ele me disse com a sua
camaradagem:
É difícil seguir o caminho
doravante
porque as sendas se dividem
bastante,
um forasteiro facilmente se
perderia;
toma este meu fiel cavalo
emprestado,
deixa levá-lo até o local
apropriado
e depois só me devolva esta
montaria.
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13.
CRUZANDO O CAMPO POR ATALHOS EM NASU (II)
Montei no cavalo e segui meu trajeto,
duas crianças seguiram aquele
alazão
durante todo o percurso bem de
perto,
demonstrando muita amizade e
afeição;
Kasane era o nome de uma das
meninas
um nome estranho para a minha
dicção,
porém, possuía uma elegância
genuína
e eu lhe escrevi um poema em
atenção:
Kasane, dizes com rara
originalidade?
O nome deve ter a sua
potencialidade
vinda da relação com o cravo
dobrado.
Logo cheguei à cidade com
orientação,
eu deixei, na sela, uma
gratificação
e devolvi aquele bom cavalo
ensinado. |
14.
ALGUNS DIAS EM KUROBANE (I)
Visitamos um coordenador de
Kurobane
E era o Joboji que viemos a
conhecer,
não nos esperava porém após um
exame
redobrou sua harmonia ao nos
receber;
travamos uma conversa muito
demorada
e passamos tagarelando noites e
dias,
nos visitava com freqüência
motivada
seu irmão Tohsui e mesmo sua
família;
e ao cabo de alguns dias de
quietude,
corremos a periferia em nova
atitude
e fomos à caça com os cães da
cidade.
fui ao raro túmulo da senhora
Tamano,
vi um santuário do Hashiman
soberano
e Yoichi fechou o leque de
novidades. |
15.
ALGUNS DIAS EM KUROBANE (II)
Perto da casa do Tohsui muito
afável
tem-se o Komo-ji, um Shugen
mosteiro,
na capela de Gyojia sempre
admirável,
ante sandálias, compus bem
altaneiro:
Sandálias santas que bem nos
guardam
iluminando o homem e seus
horizontes,
me inclino, a mim apenas me
aguardam
um verão iluminado e inúmeros
montes;
e atrás do templo do Risco
memorável
nota-se a capela do Buccho
venerável
e ele escreveu numa rocha com
carvão:
Minha pobre cabana de palha ao
vento,
menos de cinco shakus de
comprimento,
que carga manter-lhe sua
sustentação.
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16.
ALGUNS DIAS EM KUROBANE (III)
Para ver o que ficara da rara
cabana
dirigi-me ao templo sobre a
montanha
com algumas pessoas bem
provincianas
me servindo de guias naquela
façanha;
depois de contemplarmos os
panoramas
atravessamos uma ponte da
localidade,
e atrás daquele templo de muita
fama
vimos a cabana numa rocha da
herdade;
eu me senti diante da Porta da
Morte
ou do Ninho de Pedra de real
suporte
e escrevi estes versos na
construção:
Nem tu a tocarás tal como
forasteiro
elegante e ativo pássaro
carpinteiro,
e só permanecerás no bosque no
verão. |
17.
A PEDRA-QUE-MATA
Perto da região da Kurobane visitada
encontra-se a curiosa
Pedra-que-mata,
e o administrador da região
relatada
me arrumou um cavalo para a
passeata;
e durante o trajeto daquela
excursão
um cavaleiro que me seguia no
evento,
me pediu um poema com muita
educação
e eu escrevi com um bom
envolvimento:
Caminhando agora a cavalo pelo
campo,
de súbito, fui detido por raro
canto
de um maravilhoso rouxinol
inspirado.
A tal pedra estava atrás da
montanha
e ali sua periculosidade era
tamanha
que matava todos os insetos
pousados. |
18.
O SALGUEIRO
Numa diminuta cidade de Ashino
estão
os salgueiros trêmulos na água
clara,
a gente os vê em caminhos da
divisão
de um arrozal simulando divina
seara;
Tobe, o bom alcaide desta
localidade,
nos havia mesmo prometido
visitá-los
e então nos mostrou esta
curiosidade,
agora finalmente podia
contemplá-los;
passei bom tempo, como um
jardineiro,
diante de belo e inusitado
salgueiro
e depois escrevi com minha
motivação:
Quedou-se satisfatoriamente
plantado
o arrozal quando disse
transfigurado
adeus ao salgueiro da minha
louvação.
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19.
A PASSAGEM DE SHIRAKAWA (I)
Eu fiquei vários dias em
inquietação
mas apazigüei toda a minha
ansiedade
quando chegamos naquela
peregrinação
à passagem da Shirakawa de
novidades;
quanta razão possuía um antigo
poeta
que disse ao chegar aqui neste
local:
Ah, se pudesse dar uma base
discreta
desta paisagem às pessoas da
capital!
A passagem de Shirakawa por
tradição
é uma das três mais famosas do
Japão
e, dos poetas, é o local mais
íntimo;
nos meus ouvidos, soprava a
ventania,
até na imaginação, alguma folha
caía,
mas, aos olhos, o verdor era
límpido. |
20.
A PASSAGEM DE SHIRAKAWA (II)
As flores de U, brancas como o
linho,
eram também suaves como a bruma
leve,
brancos, em flor, eram seus
espinhos
como se andássemos num campo de
neve;
Kiyosuke conta que já há muitos
anos
ao atravessar a região desta
colônia,
vestiu-se com um traje dos
soberanos
e colocou um bom chapéu de
cerimônia;
e aludindo a esse episódio
celebrado,
Sora escreveu de modo algo
inusitado
seus versos que traduziam um
deleite:
Uma flor de U em meu chapéu
inovador
para cruzar Shirakawa como
admirador,
não há, nesta região, melhor
enfeite. |
29.
UMA NOITE EM IISAKA (I)
Nesta noite nos hospedamos em
Iisaka
e ali nos banhamos nas águas
termais,
numa pousada, nossa fadiga se
aplaca,
é casa sem confortáveis
referenciais;
arrumei os alforjes meio
improvisado
ao resplendor do fogo de uma
lareira,
todavia como estava bastante
cansado
estendi sobre o chão a minha
esteira;
mal caiu a noite e veio uma
tormenta,
a água caia pelas goteiras
opulentas
e pulgas e mosquitos me
martirizavam;
despertou-se minha velha
enfermidade
e além de todas aquelas
adversidades
as cólicas ali também me
maltratavam.
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30.
UMA NOITE EM IISAKA (II)
As noites desta época são bem
curtas,
pouco a pouco o céu pôde se
iluminar,
ainda sentindo aquela cólica
absurda,
para Koori, decidimos nos
direcionar;
com uma jornada longa em
perspectiva
o meu estado me desassossegava
muito,
ainda que o andar, em boa
iniciativa,
dissesse para não pensar no
conflito;
se morro neste caminho é por
vontade
e por determinação da viva
divindade,
e estas lembranças foram
lisonjeiras;
estas opiniões tiveram efeito
eficaz
e caminhando mais deixamos para
trás,
em Dale, sua
grande-porta-de-madeira. |
34.
QUATRO A CINCO DIAS EM SENDAI (I)
Atravessamos o rio Natori no
trajeto
e nós chegamos a Sendai
deslumbrados,
era o dia de belos adornos
discretos
com as folhas de lírios nos
telhados;
encontramos uma pousada nesta
cidade,
ali ficamos por quatro ou cinco
dias,
e visitamos nesta pequena
localidade
o pintor Kaemon de distinta
maestria.
Kaemon era um homem de
sensibilidade
e naturalmente começamos uma
amizade,
trocando atributos que nos
irmanavam;
Kaemon localizava os lugares
famosos
citados por velhos poetas
talentosos
e que ninguém ali sabia onde
ficavam. |
35.
QUATRO A CINCO DIAS EM SENDAI (II)
Uma vez Kaemon me levou em
visitação
em Miyaginovi, aos seus belos
campos
cobertos de hagi, uma rara
vegetação,
e imaginei, no outono, seus
encantos;
em Tamada e Yokoano, áreas
renomadas
por suas azaléias bastante
atraentes,
nasciam lindas flores
esbranquiçadas
denominadas de asebi
costumeiramente;
entrei ainda num bosque de
pinheiros
onde não se via nem um raio
lumeeiro,
fazendo penumbra de árvores no
local;
de tão úmido pela junção do
arvoredo
deu origem a um poema com seu
enredo
sobre guardas e um chapéu
ornamental.
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36.
QUATRO A CINCO DIAS EM SENDAI (III)
Num templo de Yakusi-yi, nós
rezamos,
oramos no santuário de Tenjin
também,
um belo por do sol, nós
contemplamos,
projetando nossas mentes para o
além;
o pintor Kaemon me cedeu de
presente
pinturas das paisagens de
Matsushima,
e dois pares de sandálias
excelentes
com cordões azuis de maneira
genuína;
o gosto do nobre pintor era
perfeito
nisto se revelou todo o seu
preceito,
e somei estes versos à minha
escrita:
pétalas de lírios deveras
relevantes
atarão os meus pés de hoje em
diante,
correias de minhas sandálias
bonitas. |
37.
JUNCOS DE TOFU E MONUMENTO DE TSUBO (I)
Seguindo um traçado de mapa recebido
do nobre pintor Kaemon
anteriormente,
o caminho de Oku foi bem
reconhecido
pelas características ali
existentes;
perto da montanha que fomos
observar
acham-se juncos de tofu
naturalmente,
contaram-nos que as pessoas do
lugar
todos os anos tecem para o
dirigente;
a estela regente de Tsubo se
destaca
no vale Ichikawa, no castelo de
Taka,
e representava uma elevada
distinção;
apresenta seis shakus de
comprimento
com três de largura como
complemento,
e nela se distingue uma só
inscrição. |
38.
JUNCOS DE TOFU E MONUMENTO DE TSUBO (II)
A gravação na estela primeiro mostra
as distâncias que se tem deste
lugar
até as várias fronteiras
transpostas,
e depois diz com um aspecto
peculiar:
a época é do 1o ano de
Jinki, ou 724,
foi feito por Azumaito Ohno e
depois
reedificado pelo Azakari Emi
sensato
no sexto ano de Tempyo-Hohji, ou
762;
o primeiro era um novo capital
geral,
o segundo era o conselheiro
regional,
no cargo de visitador ou de
inspetor;
sua reconstrução foi no primeiro
dia
da décima segunda lua com a
harmonia
da época do eminente Shomu
imperador.
|
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39.
JUNCOS DE TOFU E MONUMENTO DE TSUBO (III)
Ao visitar muitos lugares decantados
a gente se percebe com nova
sintonia,
como se colinas tivessem se
achatado
e os caminhos desviados noutras
vias;
o tempo passa e trás outras
gerações
e nada, nem mesmo as pegadas
diárias,
sobrevivem a todas as
transformações
mantendo-se com velhas
indumentárias;
porém aqui os olhos vêem com
certeza
lembranças de mil anos desta
realeza,
e chegam até nós os seus
pensamentos;
é um prêmio das árduas
peregrinações,
esqueci meu cansaço e as
reclamações
e quase chorei de raro
contentamento. |
45.
MATSUSHIMA (I)
É um lugar comum dizer com
admiração
que a vistosa paisagem de
Matsushima
é a mais bela e a mais rara do
Japão
e não é inferior à de Seiko da
China;
o mar, já desde o sudeste
fascinante,
entra em uma baía de maneira
genuína,
e continua com aspecto
transbordante
como o caudaloso rio Sekiko da
China;
é difícil contar as ilhas
existentes,
umas são como indicador bem
evidente,
modificando a primitiva
consistência;
outra ilha se estende sobre as
ondas
aquela parece se desdobrar em
outras,
e outra se torna tripla na
aparência. |
46.
MATSUSHIMA (II)
Algumas ilhas vistas do lado
direito
parecem ter suas imagens
transpostas,
algumas parecem ter criança ao
peito,
em outras, a criança está nas
costas;
é muito escuro o verde dos
pinheiros,
o vento torce seus ramos
exuberantes,
as curvas parecem obra de
jardineiro
e o local lembra um rosto
fascinante;
dizem que esta paisagem
interessante
foi criada numa época
impressionante
dos deuses com suas medidas
genuínas;
nem o pincel de um pintor
idolatrado
e nem a rara pena do poeta
inspirado
poderão copiar as maravilhas
divinas.
|
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47.
PENÍNSULA DE OJIMA (I)
Ojima é uma pequena extensão de
chão
que entra dentro do mar e se
encrava,
há vestígios de uma capela de
oração
e há uma pedra onde o monge
meditava;
devotos estão à sombra dos
primeiros,
vivem em cabanas de palha
dignamente,
das quais sai a fumaça dos
pinheiros
e das folhas que queimam
diariamente.
Que povo era aquele? Mesmo sem
saber,
senti estranho desejo de os
conhecer
para analisar bem o seu íntimo
valor;
porém, quando comecei a me
aproximar
parei pelo reflexo lunar sobre o
mar,
a luz era diversa da do dia
anterior. |
48.
PENÍNSULA DE OJIMA (II)
Voltei à praia e fiquei na
estalagem,
o meu quarto ficava no segundo
andar,
e dormi vendo nuvens em suas
viagens,
uma saudosa sensação para se
lembrar;
ali Sora redigiu seu poema
primoroso:
Na área desta Matsushima
aristocrata,
peça o peixe tordo ao grou
talentoso
e ele o trará com suas asas de
prata.
Eu deitei-me sem compor nenhuma
rima
e li o poema chinês sobre
Matsushima
que Sodo me doou ao sair da
choupana;
Hara me deu o tanka com o mesmo
tema,
foram meus amigos, estes dois
poemas,
os amigos da insônia da mente
humana. |
52.
HIRAIZUME (I)
O vigor de três corações de
Fujiwara
demorou o sonho de uma noite
somente,
e os restos do portão da mansão
cara
estão a um ri das ruínas
pertinentes;
o palácio de Hidehira é hoje
matagal
e só a colina Galo de Ouro está
aqui,
subi no palácio Takadate de modo
tal
que via, um rio que vem do sul,
dali;
o rio Koromo, após a mansão de
Izumi,
com o rio Kitakami, faz um só
volume
sob a mansão de Takadate de
tradição;
ali, as ruínas da mansão de
Yasuhira,
e a água do rio Koromo cor de
safira
traduzem uma defesa contra a
invasão.
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53.
HIRAIZUME (II)
Eu sento-me sobre meu chapéu e
choro
sem perceber bem a passagem do
tempo,
serenas reflexões dilatam meus
poros
e lembro-me de um poema neste
evento:
Algumas pátrias desmoronam dia a
dia
porém, a paisagem permanece como
era,
nas ruínas da mansão da
aristocracia
verdeja um novo mato, já é
primavera;
eu observo as verdes relvas de
verão,
local de combates dos heróis em
ação
e tudo vale menos que um sonho
fugaz;
Sora escreve outra poesia
envolvente:
Flores de U, as cãs do herói
valente
chamado Kanefusa num confronto
audaz. |
54.
HIRAIZUME (III)
Elogiaram as duas capelas de
orações
na da luz, há os três Budas
sentados,
na do Sutra, há estátuas de
capitães
e os sete tesouros foram
dispersados;
o vento abateu as portas
trabalhadas
e já as colunas apodrecem sob a
neve,
as paredes dali estavam
desmoronadas
tomadas por plantas agrestes e
leves;
entretanto levantaram-se novos
muros
e edificaram um teto bastante
seguro
então eu escrevi este poema no
final:
Obstinado e bem resistente
esplendor
diante da chuva, erguido um
protetor
para erguer o templo de luz no
local. |
57.
O MONTE OOYAMA (I)
O dono da pousada tinha nos
alertado
que o curso para Dewa não era
seguro,
e para passar o pico Ooyama
avistado
um guia dali nos livraria dos
apuros;
o homem da pousada conseguiu um
guia,
um jovem robusto com adaga num
cinto,
em sua mão direita este jovem
exibia
um poderoso bastão de carvalho
tinto;
andava à nossa frente sem
retroceder
mas às vezes retornava para me
dizer:
“Agora pode haver algum
contratempo”;
aquela montanha era abrupta e
hostil
e nem o grito de algum pássaro
viril
atravessava o seu silêncio
agourento.
|
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58.
O MONTE OOYAMA (II)
Ao caminhar sob as árvores da
região
a espessura da folhagem era tão
real
que andávamos em trevas de
escuridão
e parecia cair terra de nuvens
local;
pisamos diversas matas de bambu
anão,
passamos rios e picos nestes
confins,
com o suor gelado no corpo em
reação
e chegamos na cidade de Mogami
enfim;
o guia nos disse com a voz
amenizada:
Na rota sempre há coisas
inesperadas,
foi sorte trazê-los sem
contratempos;
então este guia se despediu
sorrindo,
sempre que lembro disto se
repetindo
me dão calafrios estes
detalhamentos. |
59.
OBANASAWA
Quando fomos a Obanasawa, no
roteiro,
visitamos Seifu, um homem não
vulgar,
como viajava de modo algo
costumeiro
entendia muito os viajantes do
lugar;
deixou-nos o seu lar por alguns
dias
com muitos entretenimentos à
vontade,
recuperamos muito as nossas
energias
e escrevi estes poemas na
comodidade:
No raro frescor de uma brisa
natural
me estendo e tiro uma sesta no
local
tal como se fosse em meu próprio
lar.
Uma flor carmim no meio da
vegetação
recorda ao pincel a forte
inspiração
do cume das colinas deste belo
lugar. |
62.
OHISHIDA (I)
Tínhamos planejado fazer a
travessia
de barco pelo rio Mogami
patrimonial
na área de Ohishida naquela
cercania,
porém esperávamos passar um
temporal;
ali me disseram com inusitada
emoção:
As sementes da boa escola de
hai-kai
germinaram há muito neste nosso
chão
e, pelo dom, seu estilo não se
esvai;
as épocas de seu maior
florescimento
não foram nem esquecidas com o
tempo
e nem experimentaram expansões
reais;
voltaram-se para a solidão
recolhida
em que laboram os poetas de
Ohishida
ao som das flautas mongólicas
locais.
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63.
OHISHIDA (II)
Os poetas disseram de forma
amistosa:
Queremos caminhar juntos lado a
lado
pelo caminho de uma poesia
talentosa
tornando os nossos valores
refinados;
estamos entre o novo e o velho
valor
nós não temos ninguém para nos
guiar,
e já que tens um estilo tão
inovador
não quer ficar um pouco e nos
ajudar?
Não pude recusar ao convite
amigável
e me uni a eles de maneira
memorável
para escrevermos com novos
atributos;
de todas as várias reuniões
poéticas
de minha viagem produtiva e
eclética,
esta foi a que deu os maiores
frutos. |
74.
PAISAGEM DE KISAGATA (I)
Observei picos, praias, vales e
rios,
tinha visto muitos locais
admiráveis,
mas ver Kisagata era um novo
desafio
que me atormentava com dons
notáveis;
do porto de Sakata começamos a
andar
subindo e descendo cumes neste
curso,
pisando os belos areais junto do
mar
e andamos uns dez ris neste
percurso;
o sol já se punha atrás do
horizonte
e o vento do mar abandonou sua
fonte,
atingiu as areias e começou a
chover;
nós vimos a colina Chokai
esfumaçada,
se aquela paisagem era tão
apreciada,
sem o temporal, como não deveria
ser? |
75.
PAISAGEM DE KISAGATA (II)
Pernoitamos na cabana de um
pescador
esperando passar a chuva
preocupante,
na manhã seguinte, com um novo
vigor,
o sol matinal brilhava todo
radiante;
saímos de Kisagata num ato
navegador,
da ilha do monge Noin, nos
acercamos,
nós observamos o lugar onde o
mentor
esteve isolado durante uns três
anos;
nós desembarcamos na borda
contrária
e lá estava uma cerejeira
centenária,
sobre a qual Saigyo redigiu um
poema;
na margem há um mausoléu a se
exibir,
sua imperatriz Jingu o fez
construir
como um belo e arquitetônico
diadema.
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76.
PAISAGEM DE KISAGATA (III)
Kanmanju é o nome dum templo
vizinho
não ouvi dizer, em qualquer
campanha,
que a princesa andasse neste
caminho
e esta evidência é bastante
estranha;
assento-me no vão do prior no
templo,
corro a cortina de bambu neste
local,
vejo a baía com visível
encantamento
porque a paisagem é um bonito
visual;
o monte Chokai sustenta o
firmamento,
flutua sobre as águas ao mesmo
tempo,
e a barreira Muyamuya fecha o
bosque;
vê-se o caminho para Akita mais
além,
se adelgaça até se desvanecer
também
e a paragem local se chama
Shiogoshi. |
77.
PAISAGEM DE KISAGATA (IV)
A baía local tem um ri
aparentemente
nas suas medidas próprias da
matéria,
parece a de Matsushima e é
diferente,
Matsushima ri e Kisagata é bem
séria;
estes poemas foram escritos no
local:
Baía de Kisagata de belezas
naturais,
Seishi dorme ali na chuva
torrencial
com mimosas reflexões úmidas
mentais.
Molham as ondas de Shiogoshi na
baía
as patas dos grous com rara
harmonia,
que frescor é possível sentir no
mar!
Sora também fez um poema com
atenção:
Em Kisagata, que guisados se
comerão
no dia do festival deste lindo
lugar? |
100.
A PRAIA DE IRO (I)
O dia dezesseis clareou o
firmamento,
eu quis colher conchinhas na
ribeira
e fui com um barco em
deslumbramento
à praia de Iro, de beleza
verdadeira;
não há mais do que sete ris pelo
mar
o senhor Tenya preparou uma
refeição
com garrafas de Sakê para
acompanhar
e até com sua criadagem à
disposição;
o barco chegou na praia num
instante
graças ao bom vento ali
predominante
e lá havia umas choças de
pescadores;
tomamos o chá para a melhor
digestão
e esquentamos o sakê para a
animação
em um santuário de limitados
valores.
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101.
A PRAIA DE IRO (II)
O triste entardecer desta
localidade
penetrou bastante em nossos
corações,
sensibilizando bem nossa
afetividade
e predispondo a inusitadas
reflexões;
eu compus com a emoção
sensibilizada:
Melancolia, com sensação de
abandono,
mais pungente que em Suma na
jornada
estou sentindo nesta praia de
outono.
A onda se retira do inusitado
espaço
deixando os trevos locais em
pedaços
e as conchas vermelhas como
despojos.
Pedi a Tosai que escrevesse o
evento
e o deixasse no livro daquele
templo
sobrevivendo à dinâmica dos
relógios.
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102.
O POVOADO DE OHGAKI (I)
Rotsu veio a me procurar neste
porto
e foi também até a província de
Mino,
entramos a cavalo de um modo
absorto
no rol de Ohgaki no período
matutino;
Sora veio de Ise em sua nova
jornada,
Etsujim engrandeceu nossa
associação,
e nos encontramos de forma
festejada
na casa de Jokoh com muita
motivação;
durante todo o dia e na tarde
também
fui visitado pelos discípulos do
bem:
Zensenshi, Keiko e outros
familiares;
seu regozijo ao ver-me na
localidade
era como o dos que vêem a
felicidade
ao notar minhas feições
particulares.
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103.
O POVOADO DE OHGAKI (II)
Enfim, chegou o dia seis do nono
mês
e ainda que não tivesse me
reerguido
do cansaço e da expressiva
languidez,
eu me senti visivelmente
fortalecido;
como queria estar em Ise
rapidamente
para presenciar o imponente
traslado
do grande santuário na área
presente
eu não tardei e nem me fiz de
rogado;
acompanhado pelos discípulos de
brio
embarquei outra vez num grande
navio
e escrevi esta poesia já em
abandono:
Da amêijoa, um molusco bem
freqüente,
se soltam as conchas
inevitavelmente
e, até Futami, vou com o novo
outono.
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