Pensadores Gregos em sonetos

PITÁGORAS – I

 

 O gênio Pitágoras viveu há 2500 anos
 E nasceu em 580 a.C. aproximadamente,
 Sua vida não é descrita no cotidiano,
 É junção de lenda e fatos existentes,

 Na lenda a sacerdotisa do deus Apolo
 Disse para um casal da ilha de Samos:
 Vós tereis um filho que será um pólo
 Pela alta inteligência entre humanos,

 A inteligência de Pitágoras era real
 Estudou com o Tales de Mileto genial
 Que na época era o dom mais oportuno,

 Porém Tales de Mileto em pouco tempo
 Rendeu-se à exatidão daquele talento
 E passou a estudar as obras do aluno.

PITÁGORAS – II

 

 Quando Pitágoras logrou a maturidade
 Resolveu aumentar seus conhecimentos,
 Saiu para visitar outras comunidades
 Que vivenciavam outros entendimentos,

 Ele foi à Síria, à Arábia, à Caldéia,
 À Pérsia, à Índia e, enfim, ao Egito,
 Onde procurou entender bem as idéias
 E até se tornou um sacerdote erudito,

 Quando o Cambises II invadiu o Egito
 Ele foi levado, após aquele conflito,
 Para a Babilônia dos novos invasores,

 Pitágoras aproveitava a oportunidade
 Para conhecer a diferente localidade
 E confrontar os seus típicos valores.

PITÁGORAS – III

 

 O filósofo já tinha 50 anos de idade
 E ele quis abrir uma escola em Samos,
 Mas o líder Polícrates da localidade
 Não o deixou concluir os seus planos,

 Foi ao sul da Itália com boa energia
 Onde aceitaram as suas lições afinal,
 As de geometria, música e astronomia
 E como complemento: religião e moral,

 Os discípulos se tornaram relevantes
 Mas desprezavam as massas ignorantes
 E apoiavam o partido da aristocracia,

 E as massas retrucaram com violência
 Queimaram a rara escola de sapiência
 E Pitágoras foi morto nesta rebeldia.
 

PITÁGORAS – IV

 

 Pitágoras enuncia em lógico contexto:
 O quadrado da hipotenusa, em equação,
 É uma soma dos quadrados dos catetos
 Em triângulo retângulo por definição.

 Pitágoras criou outro teorema genial:
 A soma de ângulos internos completos
 Pertencentes a um triângulo eventual,
 É igual à soma de dois ângulos retos.

 A superfície integral de um quadrado
 É igual a um lado vezes o mesmo lado
 E “elevar ao quadrado” é a expressão,

 O volume do cubo é aresta delimitada
 Três vezes por si mesma multiplicada
 E “elevar ao cubo” é a representação.
 

PITÁGORAS – V

 

 Pitágoras via os números como pontos
 Que determinam as formas em evolução,
 O universo são os pontos em encontro
 Onde a matéria surge por condensação,

 Pitágoras também mostrou pela teoria
 Que música e matemática são parentes,
 As cordas da lira em sonora harmonia
 São expressões matemáticas inerentes,

 Ele acreditava na alma e na religião,
 Acreditava também numa transmigração,
 E só com a vida pura iria ao paraíso,

 Vida pura seria com coragem, piedade,
 Austeridade, obediência e a lealdade
 Para se ter um comportamento preciso.

PITÁGORAS – VI

 

 Pitágoras disse como grego influente:
 Honra os deuses bem acima das coisas,
 Honra teu pai e tua mãe analogamente
 Para viver a vida em elo com a força,

 Tenha a fome sob domínio e contenção,
 Assim como preguiça, cólera e o sono,
 Não coma carne devido à reencarnação,
 Não deixe vícios levarem ao desabono,

 Melhor meio de purificar sua energia
 É com a música e a sua bela harmonia,
 Para magnetizar a sua íntima vontade,

 O universo é escala e número musical
 E faz com que sua harmonia funcional
 Determine a existência e a realidade.

PITÁGORAS – VII

 

 Como astrônomo, o Pitágoras pensador
 Cultivou real e intenso envolvimento,
 Mas seu verdadeiro e atemporal valor
 Foi conceber o universo em movimento,

 Como filósofo, Pitágoras é precursor
 De filósofos dos tempos subseqüentes,
 Para muitos, um Pitágoras inspirador
 Até do filósofo Platão tão eloqüente,

 Como teórico de medicina, o filósofo
 Viu o corpo humano como um propósito
 Constituído basicamente por harmonia,

 Homem sadio: a harmonia se consolida,
 Homem doente: harmonia vital rompida
 E tudo se dá pela virtude da energia.

PITÁGORAS – VIII

 

 Pitágoras utiliza a música na escola
 Para desenvolver uma harmônica união,
 Uma suave harmonia que ninguém viola
 Porque ela enleva a razão e a emoção,

 A música instrui seus alunos atentos
 Enaltecendo suas reflexões psíquicas,
 Por frear a agressividade a contento,
 E pôr a alma acima das ações físicas,

 A boa música se torna dom de ligação
 Entre o cosmo e o homem em meditação,
 Possibilitando uma mística atmosfera,

 O cosmo tem imensa razão de harmonia
 E Pitágoras eleva a etérica sintonia
 Para detectar a harmonia das esferas.

PITÁGORAS – IX

 

 Pitágoras, como avatar do deus Apolo,
 Tocava para os seus alunos presentes,
 Sempre dentro de esotérico protocolo,
 A sua lira de sete cordas envolvente,

 Deste modo ele controlava as paixões:
 Raiva, ciúme, anseios, impetuosidade,
 Preguiça, angústia e suas oscilações,
 Mantendo, em todos, sutil serenidade,

 Tocava a música pelo teor da energia,
 Simulando um catalisador de harmonia,
 Para equilibrar as pessoas inquietas,

 Deste modo música também era terapia,
 E ali ele tocava sua curiosa melodia
 Com inspirações e sintonias secretas.
 

PITÁGORAS – X

 

 Pitágoras interpretou os fundamentos
 Matemáticos de consonâncias musicais,
 Um elo místico veio como complemento
 Entre a razão e os teores emocionais,

 A aritmética se liga com a geometria
 E os números com corpos fisionômicos,
 A música se associa com a astronomia
 E os sons com os corpos astronômicos,

 Tetraktys era meta da música sideral,
 E só Pitágoras ouvia seu tom musical
 Como fruto de esotérica introspecção,

 Platão falou da harmonia das esferas,
 Filolau a incluiu na mesma atmosfera,
 E as duas fontes atestam a concepção.

PITÁGORAS – XI

 

 Pitágoras é pioneiro na conceituação
 Que a terra e o universo são esferas,
 Que ainda há movimento de translação
 Junto com rotação criando primaveras,

 Ele engendrou um sistema astronômico,
 O sistema pitagórico para se estudar,
 Sem a terra como o centro hegemônico,
 Somente pertencendo ao sistema solar,

 Este seu sistema solar foi elaborado
 Em 400 a.C. de modo bem identificado,
 Antevendo em 2000 anos sua descrição,

 Essa teoria, Galileu veio a publicar,
 Copérnico e Kepler puderam comprovar
 Como sistema pela via láctea em ação.
 

PITÁGORAS – XII

 

 Um número é o princípio da filosofia,
 Analogamente: terra, água, fogo e ar,
 Revelam as origens em outras teorias
 E o confronto de idéias vai se fixar

 Os números um e dois iniciam a lista
 Dos dez primeiros pares fundamentais,
 Os opostos se revelam numa conquista
 Que vai muito além dos elos iniciais,

 A música e a meta do paraíso estelar,
 Uniram-se com a matemática elementar
 Para o elo de abrangência pitagórico,

 Para Pitágoras, o Logos ou Divindade
 É a geração da harmonia pela unidade,
 Indivisível sem ser número simbólico.

PLATÃO – I

 

 Platão nasceu em 428 a.C., em Atenas,
 E morreu em 348 a.C. na mesma cidade,
 E era um aristocrático de vida amena
 Mas a real riqueza era a mentalidade,

 Platão era aluno do Crátilo pensador,
 Que era aluno do Heráclito reflexivo,
 Aos 20 anos viu o Sócrates indagador
 Do qual foi aluno até o fim aflitivo,

 E Platão viajou ao Egito tradicional,
 De onde foi para a Itália meridional
 Obter aulas com o Teodoro matemático,
 

 Entra em sintonia com os pitagóricos,

 Com Arquitas de modo mais categórico
 E aprende dons esotéricos e práticos.
 

PLATÃO – II

 

 Platão vai por três vazes a siracusa,
 Tenta manipular a política da cidade,
 Porém a sua postura se torna confusa
 E ele é expulso com dura austeridade,

 Platão volta para a sua cidade natal
 Já tinha seus quarenta anos de idade,
 E ele funda sua academia tradicional
 Onde leciona a todos com boa vontade,

 O socratismo influencia em seu plano
 Trazendo análises para o lado humano,
 E o platonismo absorve essa tradição,

 Os sentidos revelam a multiplicidade,
 Já a inteligência revela sua unidade
 E Platão busca perceber a interseção.

PLATÃO – III

 

 As coisas e os fatos cuja existência
 São percebidas pelo uso dos sentidos,
 Não possuem uma estável consistência,
 Um limiar transitório é estabelecido,

 Não coincidem com elas completamente:
 O belo não coincide com beleza ideal,
 Elas existem apenas transitoriamente:
 Não eram ou já não serão mais afinal,

 Mas para se nomear de forma resoluta
 Tem-se que admitir a beleza absoluta,
 E assim o platonismo tem sua estréia,

 Essa realidade de dotes inteligíveis
 Que transcende os limiares sensíveis
 O genial Platão denomina de: a idéia.

PLATÃO – IV

 

 Platão herda de Sócrates a sua noção
 De que só há a captação do universal
 Por hipótese apreendida na definição,
 Multiplicidade e unidade são o ideal,

 Pois definir é atribuir um predicado
 Ao sujeito que se nota na localidade,
 Ele unifica um pensamento idealizado
 A partir de um múltiplo da realidade,

 Pois se o homem é um animal racional
 Ele o é se comparado a um irracional
 E a expansão ideal surge como efeito,

 Não há animalidade, só há os animais,
 Não há racionalidade e sim racionais,
 O ideal existe em função do conceito.

PLATÃO – V

 

 As idéias traduzem múltiplas funções,
 Em primeiro lugar: avaliar as coisas,
 Para que possa haver caracterizações
 Do contexto e de suas típicas forças,

 Em segundo lugar: obter a explicação
 Que as coisas são sempre suas iguais,
 Que elas permanecem no ser pela ação
 Que elabora e diferencia seus sinais,

 Em terceiro lugar: que as coisas são
 Iguais à sua idéia prévia em questão,
 Assim uma estátua pode ser elaborada,

 Em quarto lugar: que idéias em fusão
 Permitem conciliar pela participação
 A unidade e a multiplicidade aliadas.

PLATÃO – VI

 

 O ser da realidade visual e sensível
 É só um ser de empréstimo temporário,
 Pois participa de um modo concebível,
 Do ideal, como um reflexo imaginário,

 Entretanto se um ser não está dentro
 De coisas em questão, mas fora delas,
 Como se poderia obter o conhecimento
 Do todo ou pelo menos de uma parcela?

 Sócrates tem o tema da reminiscência,
 Onde uma alma em anterior existência
 Aprende e armazena seu discernimento,

 Conhecer não é olhar o que está fora,
 Mas é avaliar o que de dentro aflora
 Para entender o íntimo armazenamento.
 

PLATÃO – VII

 

 No livro da República Platão escreve
 Sobre o interessante mito da caverna,
 Onde a meta da filosofia se inscreve
 Para ler a realidade que nos governa,

 Acorrentados num cárcere subterrâneo
 E de costas viradas para sua entrada,
 Os presos vêem um aspecto momentâneo
 Das sombras que, ali, são projetadas;

 Quando um deles consegue a liberdade
 Para olhar aquela exterior realidade,
 Uma luz o ofusca e o sol o deslumbra,

 Ele enxerga aos poucos e penosamente,
 Vê seu mundo absurdo e inconsistente,
 Só de sombras projetadas na penumbra.

PLATÃO – VIII

 

 Aquele que já descobre estas ilusões
 Que se notam como sombras na caverna,
 Arrisca se falar para mudar opiniões
 Que a vida real está na área externa,

 Esta é a perigosa missão do filósofo
 Que busca instruir seus companheiros,
 Mas por não entenderem os propósitos
 Podem querer matá-lo como embusteiro,

 A caverna simboliza o mundo sensível,
 Feito de aparências do que é visível,
 Parece ser o único modo de realidade,

 Já o exterior é um mundo inteligível,
 É real, entretanto é algo intangível,
 Para a maioria parece uma insanidade.

PLATÃO – IX

 

 O homem é corpo e alma em associação,
 É próprio de dois mundos pertinentes,
 E a missão da filosofia é elucidação
 De sombras que sobrevivem nas mentes,

 Sua disciplina é intelectual e moral
 Para libertação da caverna da ilusão,
 Trazendo-o de aparências e do irreal
 Ao mundo da realidade e da percepção,

 As idéias, com seus teores de ilação,
 Não são interiores às coisas em ação,
 São transcendentes como deveriam ser,

 O seu conhecimento traz a libertação
 Até que a morte traga sua dissolução,
 Assim, filosofar é aprender a morrer.
 

PLATÃO – X

 

 A alma do mundo executa a sua função
 Entre o mundo de idéias, inteligível,
 E o mundo de coisas físicas em união,
 Sendo, este último, o mundo sensível,

 A alma humana é imortal, é imaterial,
 Pode assimilar as idéias e a verdade,
 E quando está unida à parte corporal
 Apresenta suas três particularidades:

 Sensual, que é própria das sensações,
 Irascível, dos impulsos e de emoções,
 E racional, do dom e da Inteligência,

 Deste modo a alma se torna harmônica,
 Assimilando moral ou ética platônica
 Para ter a plenitude com consciência.

PLATÃO – XI

 

 A parte sensual da alma em adaptação
 É pautada pela virtude da temperança,
 Então a alma deve agir com moderação
 Para se ter o controle com segurança,

 A parte irascível da alma por ilação
 Caracteriza os impulsos e as emoções,
 E a virtude que direciona a sua ação
 É a fortaleza com suas estruturações,

 A parte racional da alma em anuência
 É regulada pela virtude da prudência
 Para que haja sabedoria nas atitudes,

 A quarta virtude é a justiça decente,
 É nobre e, com sua retidão influente,
 Podem-se acelerar as outras virtudes.
 

PLATÃO – XII

 

 Observando a coerência do platonismo
 Como filosofia de legado existencial,
 Pode-se perceber um real paralelismo
 Entre a psicologia e a ética pessoal,

 Pode-se perceber também analogamente
 A curiosa e perfeita correspondência
 Entre a ética e a política existente,
 E suas relações de interdependências,

 Política na Sicília foi uma decepção
 E a morte de Sócrates foi outra ação
 Que trouxe uma conclusão fundamental:

 Não se é justo em território injusto,
 Para haver filosofia tem-se um custo
 Com educação e lógica reforma social.

ARQUIMEDES – I

 

 Arquimedes nasceu na antiga Siracusa,
 Colônia grega em 287 antes de Cristo,
 Em família culta onde estava inclusa
 A relação com pensadores imprevistos,

 Filho de Fídias, astrônomo conhecido,
 Reunia em casa toda a elite do local,
 E antes de se considerar amadurecido
 Já apresentava boa habilidade mental,

 Para cultivar ainda mais a sabedoria
 Foi estudar, no Egito, em Alexandria,
 Com matemáticos e os sábios em geral,

 E estudou com Erastóstenes de Cirene,
 Os conhecimentos se tornaram perenes,
 E então ele voltou à sua terra natal.

ARQUIMEDES – II

 

 Senhor barbado de feição respeitável
 Gritou e pulou para fora da banheira
 Onde tomava este seu banho memorável
 E a hidrostática ampliava fronteiras,

 Eureka! Que em grego significa achei!
 Saiu correndo nu de modo displicente,
 Ele foi julgado por contrariar a lei,
 Todavia os juízes foram complacentes,

 O princípio de Arquimedes foi obtido:
 Um corpo mais denso do que um fluido,
 Ao ser mergulhado neste seu interior,

 Perderá seu peso que será equiparado
 Ao tanto de fluido que for derramado,
 E o equilíbrio é o fator controlador.

ARQUIMEDES – III

 

 Siracusa tornou-se área independente
 E tinha agora boas relações com Roma,
 O rei tinha em Arquimedes um parente
 E chamou-o para um caso de alta soma,

 Hieron II fez uma trirreme magistral
 Para doá-la ao rei Ptolomeu do Egito,
 Mas por peso a embarcação monumental
 Permaneceu presa de um modo inaudito,

 Arquimedes disse, fixando-lhe o olho:
 Dai-me uma alavanca e ponto de apoio
 E então eu moverei até mesmo o mundo,

 O inventor criou sistema de roldanas
 E liberou aquela embarcação soberana
 E Hieron se admirou de modo profundo.
 

ARQUIMEDES – IV

 

 Ao morrer Hieron veio outro soberano
 Que promoveu uma ligação com Cartago,
 Que travava guerra contra os romanos
 E ela levou a Siracusa seus estragos,

 Assim a frota romana sitiou a cidade
 E Arquimedes foi eleito estrategista,
 Quando a frota veio com belicosidade
 Admirou-se com as armas do cientista,

 E agora sobre as muralhas se expande
 Um tentáculo com suas pinças grandes
 Para destruir as embarcações em ação,

 As mais distantes sofriam as avarias
 Por catapultas que agiam em sintonia
 E Siracusa sobreviveu àquela invasão.

ARQUIMEDES – V

 

 Roma assediou Siracusa por três anos
 Mas Arquimedes promoveu sua proteção,
 Até que em 212 a.C. o poderio romano
 Confirmou sua imperialista imposição,

 Impressionado com o tino do inventor
 O general líder ordenou aos soldados
 Que preservassem o incrível pensador,
 Sua vida e seus bens fossem poupados,

 E Arquimedes, enquanto via o impasse,
 Pediu ao soldado que não danificasse
 Um desenho vindo de sua criatividade,

 A calma do sábio enfureceu o invasor
 Que esqueceu a ordem de seu superior
 E matou uma das maiores celebridades.

ARQUIMEDES – VI

 

 Uma vez Arquimedes conseguiu aclarar
 Com o princípio dos líquidos em ação,
 Que o ourives estava mesmo a falsear
 Na fabricação da coroa daquela nação,

 Mergulhando numa vasilha com líquido
 A coroa fez derramar uma porcentagem,
 E comparou com o seu peso específico
 Possibilitando uma correta regulagem,

 Arquimedes usou o peso de ouro igual
 Ao que fora entregue ao ourives real,
 E o seu desequilíbrio foi confirmado,

 O artesão estava desviando o tesouro
 Usando a liga menos densa que o ouro,
 E assim Ladino pôde ser desmascarado.
 

ARQUIMEDES – VII

 

 Arquimedes, reverenciado na tradição,
 É raro gênio mecânico da antiguidade,
 Mas sua herança alcança uma expansão
 Que atinge diferentes especialidades,

 Estudou as propriedades dos líquidos
 E a propriedade da luz paralelamente,
 Estudou também de um modo específico
 A real natureza de forças existentes,

 Ele escreveu sobre forças e energias
 No Tratado das Alavancas com ousadia,
 Na matemática escreveu outros a mais:

 Como velocidade e aceleração gradual,
 Que permitiram o cálculo diferencial
 De forças que lhes são proporcionais.

ARQUIMEDES – VIII

 

 Arquimedes estudou muito a geometria
 Escreveu O Método como obra didática,
 E demonstrou compreensão e sabedoria
 Tanto nas teorias quanto em práticas,

 Nesta sua obra, O Método, o inventor
 Demonstra para superfícies e volumes
 Que de geometria ele é um conhecedor,
 Que nela é tão bom quanto se presume,

 E seus amigos lhe perguntaram um dia:
 Que deverá ser escrito como alegoria
 Para que um túmulo lhe seja distinto?

 Quanto ao que deveria ser perpetuado
 Ele disse que seria bem representado
 Por uma esfera dentro de um cilindro.
 

ARQUIMEDES – IX

 

 Arquimedes fez trabalhos científicos
 Como os princípios da mecânica usual,
 Mas sem nitidez tornaram-se atípicos
 E parcos por degeneração do material,

 A quadratura da parábola tem o ânimo
 Na área do segmento da parábola real,
 E é igual a 3/4 da área do triângulo
 Numa base e altura de segmento igual,

 Pelo tratado da esfera e do cilindro
 Vê-se área e volume de dois recintos
 E propriedades geométricas inerentes,

 O tratado sobre equilíbrio de planos,
 Mesmo sendo inacabado, não é leviano,
 E contém teorias mecânicas eminentes.

ARQUIMEDES – X

 

 No tratado sobre a medida do círculo
 Associa-se diâmetro e circunferência,
 2 polígonos de 96 lados têm vínculos
 E aferem-se perímetros com coerência,

 Já no tratado que estuda as espirais
 As leis das tangentes vão se revelar,
 A geração da espiral, em elos gerais,
 E ação uniforme retilínea e circular,

 No tratado dos conóides e esferóides
 Avaliam-se os volumes dos elipsóides
 E também a área da elipse estrutural,

 A Erastóstenes foi dedicado o Método,
 Que averigua os princípios genéricos
 Da formação do cálculo infinitesimal.
 

ARQUIMEDES – XI
 

 Arquimedes criou eminentes invenções,
 Como máquinas de feitios utilitários,
 Ficou famoso pelos tratados e lições
 Descritos em seus tomos prioritários,

 Historiadores descreveram seus tomos:
 Plutarco, Valério Máximo, Tito Lívio,
 Cícero e outros escritores tais como:
 Vitrúvio, Sêneca, Plínio e o Políbio;

 E o renascimento também o reconheceu:
 Fermat, Pascal, Torricelli e Galileu
 Sofreram influência de seus tratados,

 Huygens e mesmo Kepler paralelamente,
 Tal como Isaac Newton posteriormente
 Também foram, por ele, influenciados.

ARQUIMEDES – XII

 

 Arquimedes é um dos raros pensadores
 Físico-matemáticos de nossa história,
 Todos se admiram dos lógicos valores
 Mantendo-se, pois, com perene glória,

 A área do segmento parabólico medida
 Foi vista em Constantinopla, em 1906,
 Pôs o problema como mecânica aferida
 E a geometria se impôs com suas leis,

 O segmento em uma reta repetidamente
 Atinge quaisquer pontos teoricamente,
 Simulando o axioma apenas hipotético,

 A somação da série torna-se pioneira,
 E ele revela de uma forma verdadeira
 Que seu nobre dom era muito eclético.